Entrevistando um Escritor: Claudia Sobreira Lemes.
- 1 de jan. de 2016
- 6 min de leitura
Cheeeeeeeeguei chegando. abrindo o ano da melhor maneira possível para vocês com uma entrevista MARAVILINDA com a divinissíma, minha ídola, Claudia Sobreira Lemes, nossa mais nova mamãe e também autora de um dos meus livros favoritos Eu Vejo Kate.
Que tal conhece-la?

Natural de Santos (SP), Cláudia Lemes cresceu no Rio de Janeiro, na Califórnia (EUA) e no Cairo (Egito). Teve a oportunidade de conhecer dezenas de países em quatro continentes e foi essa vida cheia de aventuras, a responsável por seu fascínio pela história, mente e comportamento humano. Cláudia começou a escrever aos 13 anos de idade. Seus primeiros leitores foram suas amigas. Desde então vem amadurecendo sua mão literária e produzindo cada vez mais, sempre movida pela paixão de dar vida às pessoas que vivem em sua mente. Interativa e apaixonante, Cláudia investiu em si mesmo nas mídias sociais. Divulga suas obras com uma disciplina militar. E foi essa dedicação que ela a levou até a Empíreo, com quem assinou contrato em 2015. Foi a união de uma editora que deseja dar espaço às vozes que destoam do tradicional com a uma autora que tem a originalidade correndo nas veias. Hoje, Cláudia vive em sua terra natal ao lado do marido e de seus dois filhos. Um terceiro chegou, agora, em 2015.
Antes de qualquer pergunta, preciso agradecer imensamente a Claudia por ter nos cedido um tempinho de sua vida corrida, ainda mais no fim da gravidez para nos responder, sempre com muito carinho e atenção. Obrigado mesmo, de coração por tudo! ♥
Agora, seguimos as perguntas respondidas pela nossa linda amiga, com muito amor para vocês.
Quais são seus maiores sonhos e suas maiores vontades?
No âmbito pessoal eu consegui realizar todos os meus sonhos, consegui criar a família que sempre quis ao lado do amor da minha vida, consegui encontrar uma cidade para morar que eu amo, viajar para os lugares que sempre sonhei conhecer, e ter experiências únicas. Agora preciso encontrar novos sonhos. Como escritora, ainda tenho muitos, mas o principal, claro, ainda é poder viver bem só da minha escrita.
Diga-nos qual é o maior de seus medos? Por quê?
Acho que toda mãe diria o mesmo: meu medo principal é relacionado à segurança e bem-estar dos meus filhos. Fora isso, tenho medos subjetivos às vezes, pelo estado de insegurança que assola meu país, pelos preconceitos e malícia das pessoas, pela ignorância que anda tão aparente nesses tempos.
O que tu mais gosta fora deste “universo literário”?
Fora do universo literário eu gosto de passar tempo com quem eu amo: família e amigos. Gosto de churrascos, de jogos de tabuleiro e bate-papos até amanhecer. Conversar, basicamente, abraçar quem eu gosto, curtir pessoas especiais. Também gosto de viajar, de filmes, de praia, de mar, de aprender coisas novas, de estudar tudo, analisar tudo, decifrar tudo.
Pode nos dizer o que pensa da literatura nacional? Como funciona, o que deve mudar, etc.
Eu vejo uma coisa linda acontecendo: jovens lendo muito, consumindo livros, aprendendo a ler e a pensar no que estão lendo. Por outro lado ainda vejo que não se aventuram muito em leituras mais antigas, mais subversivas, mais difíceis, e ainda deixam que a lista dos best-sellers comandem seu gosto literário. Mas acho que isso vai mudar. O mercado vai mudar quando os leitores ficarem mais exigentes. Aí eu acho que o que será publicado será menos superficial, menos biografias de subcelebridades, menos besteirol, e trabalhos corajosos e inovadores (cult ou apenas para prazer) serão levados mais a sério pelas grandes editoras.
Filme, livro ou música? Por quê?
Cada um para o momento em que a alma precisa. E games também, e séries também.
Prólogo ou Epilogo?
Adoro epílogos abertos, sabe, aqueles que dão esperança ao leitor de que algo ótimo ou terrível ainda pode acontecer.
Como você percebeu que queria ser escritora?
Eu sempre escrevi, mas nunca tive ambições profissionais relacionadas a isso. Eu percebi que deveria colocar meu trabalho no mundo quando percebi que não depende de mim compará-lo à arte dos outros autores, porque a minha, por ser minha, é única. Privar o mundo da minha arte (quer o mundo ame-a ou odeie-a) seria covarde da minha parte. Então arrisquei. E não me arrependo.
Quais são as maiores dificuldades de ser um escritor?
A escrita demanda tempo e energia. Temos pouco tempo para a pesquisa, para a escrita, para a revisão, edição, etc, porque a maioria de nós tem outros trabalhos, família, problemas. No Brasil é difícil ganhar a vida só com a escrita, então o autor se vê obrigado a fazer muitas outras coisas, colocando a escrita como “hobby”, o que afeta sua qualidade.
Pra você, qual a importância dos blogueiros?
Hoje, toda. Grandes editoras compram publicidade, mas os blogueiros democratizaram a literatura, de uma certa forma, porque resenham desde livros independentes de autores completamente desconhecidos, até best-sellers de autores renomados, com o mesmo entusiasmo e honestidade. É claro que há blogueiros e blogueiros. Há gente dedicada mesmo nesse mundo, gente esforçada, gente que lê muito e sabe analisar o que lê. Por outro lado alguns ainda não amadureceram como leitores e muito menos como resenhistas. Eu dei muita sorte com blogueiros até hoje, muitos viraram grandes amigos, e digo sem receio algum de que não teria sido publicada quando fui se não fosse por eles, e por uma blogueira em especial.
De onde surgiu a história de seu livro?
A história de Eu Vejo Kate nasceu da necessidade de uma história que abordasse serial killers de forma realista. Eu não achava um livro assim, então me vi obrigada a escrevê-lo.
Como surgiram os personagens?
Acho que em algum nível a maioria deles são expressões de aspectos da minha personalidade.
Como você percebeu que era neste gênero que você escrever seu primeiro livro?
Na verdade minha primeira obra foi uma trilogia de drama familiar, Os Woodsons, que escrevi entre 1998 e 2012. Na trilogia abordei 4 gerações da mesma família e os conflitos que perseguem seus membros. Depois disso escrevi um western, um conto de terror, e só então Eu vejo Kate. Não queria ficar estigmatizada por escrever policial, eu reconheço que gostei muito do gênero, mas quero me sentir livre para continuar escrevendo coisas diferentes.
Já tens quantos trabalhos? Todos foram publicados?
Tenho 7 livros acabados. O primeiro volume da Trilogia Woodsons foi publicado por uma editora pequena, mas decidi que os outros iria publicar independente até encontrar a casa editorial perfeita para mim. Isso aconteceu esse ano com Kate, quando conheci a Editora Empíreo. Ainda não tenho notícias sobre quais obras minhas serão publicadas ano que vem pela mesma editora.
Como foi o processo de criação de seu livro?
O meu processo de criação é bem cíclico. A história começa na minha cabeça, depois vai para o computador, aí passa por um processo de pesquisa para verificar ou fortalecer a narrativa, então a próxima parte da história acontece na minha cabeça de novo, e assim vai. Sou uma escritora bagunçada, desorganizada, que escreve fora de ordem, que joga tudo na história e só “limpa” o texto depois. A escrita criativa e a edição acontecem o tempo todo.
O que você sente vendo o quanto seu livro faz sucesso?
Estou surpresa com a reação das pessoas em relação ao livro. Kate não é um livro para todo mundo, não é um livro fácil de ler, não se encaixa em clichés e fórmulas prontas para agradar. Pelo contrário, é um livro difícil de digerir, violento, agressivo, e que aborda um tema comum de forma diferente. Eu esperava reações extremas, que muitos odiassem o livro e outros o amassem. Até agora 99% da resposta tem sido mais do que positiva. Pouquíssimas pessoas não gostaram do livro, justamente pelos motivos citados acima. Então para mim têm sido dia após dia de felicidade e gratidão por ver que tantas pessoas entenderam minha proposta e amaram meu livro. Ver as resenhas, notas no skoob, e vê-lo citado frequentemente como favorito do ano, e até favorito de todos os livros já lidos por alguém, é uma sensação muito reconfortante para mim.
E em relação à quantidade de fãs que você tem como se sente? Tem algo que gostaria de dizer a eles?
Eu me sinto esquisita falando de “fãs”, prefiro falar de leitores. Eu adoro o feedback que recebo, adoro a empolgação deles. E acabo ficando amiga de todos, ahahah, é muito gostoso ver seu trabalho admirado.
Pensa em continuar escrevendo? Se sim, já tem alguma idéia do seu próximo livro?
Sim, nunca vou parar. Acabei um livro agora, que acabou de passar pelos leitores beta e ainda será editado e revisado. Não tem previsão de lançamento ainda, mas posso adiantar que segue a mesma linha de Eu Vejo Kate. Depois disso quero adaptar alguns livros antigos, terminar outros que já comecei. Tenho muitas ideias que vou transformar em livros em breve.
Espaço livre:
Vou usar o espaço livre para agradecer todo mundo, em especial leitores e blogs que têm dedicado tanto tempo e espaço para resenhar e elogiar Eu Vejo Kate. Sem retorno assim a arte de escrever seria muito mais triste, sem dúvidas.
Gente, ela é uma verdadeira diva, que entrevista incrível. Eu amei! Não poderia ter escolhido ídolo melhor, não acham?
Obrigado Claudia, novamente, por todo esse carinho. Foi realmente maravilhoso poder conversar contigo e ter nossas perguntas respondidas. Desejo todo o sucesso do mundo e que daqui pra frente, tudo possa apenas melhorar. Parabéns pelo baby lindo e sempre que precisar conte conosco.















Comentários